Mapa da Segurança Pública de 2026 está disponível para consulta; CNM destaca resultados que impactam os Municípios

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), disponibilizou o Mapa da Segurança Pública 2026, cujos resultados estão embasados nos dados do último ano. A publicação consolida estatísticas das 27 Unidades da Federação colhidas pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O objetivo central do levantamento é ampliar a transparência, padronizar dados estatísticos e oferecer subsídios para a tomada de decisão por gestores públicos.
A publicação consolida 30 indicadores nacionais sobre criminalidade considerados estratégicos, com base na Resolução MJSP 6, de 8 de novembro de 2021. Os resultados demonstram quais são os desafios locais na prevenção da violência e formulação de políticas públicas de enfrentamento. A edição de 2026 traz um importante marco: o país atingiu a menor taxa de homicídios dolosos dos últimos seis anos, indo ao encontro da tendência de diminuição revelada no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho. Por outro lado, o relatório também alerta para o crescimento de ocorrências de tráfico de drogas e crimes graves voltados à violência contra a mulher, também apontados no Anuário.
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) ressalta que a consolidação de dados municipais e regionais é fundamental para orientar os planos locais de segurança pública, a atuação das Guardas Municipais, o policiamento comunitário e as redes de proteção social geridas pelas prefeituras. A entidade municipalista entende que os gestores podem utilizar o Mapa da Segurança Pública como referência de coleta de dados para a elaboração de diagnósticos durante o desenvolvimento dos Planos de Segurança Pública e Defesa Social ou Planos de Enfrentamento à Violência Contra Mulheres e Meninas dos seus Municípios.
A CNM alerta que a instituição dos Planos Municipais de Segurança Pública e Defesa Social é uma condição para que os Municípios se integrem plenamente ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e possam estar elegíveis para receber repasses da União destinados à segurança, de acordo com a Lei 13.675/2018.
Novos indicadores
Este ano, o levantamento incorporou oficialmente dois novos indicadores estratégicos ao rol de estatísticas oficiais: tentativa de feminicídio e estupro de vulnerável. A inclusão tem como meta qualificar o diagnóstico e a visibilidade da violência cometida contra mulheres, crianças e pessoas em condição de vulnerabilidade. As tentativas de feminicídio registraram alta significativa, com crescimento de 10,97% em relação ao ano anterior, totalizando 3.813 vítimas. No caso de estupro de vulnerável, 84,4% das vítimas foram meninas ou mulheres.
Concentração urbana: desafios para grandes centros
Os indicadores cuja análise desagregada tem abrangência municipal — como homicídios, latrocínio, morte no trânsito, suicídio, feminicídio, mandado de prisão cumprido, entre outros — revelam que as capitais e grandes centros urbanos continuam concentrando o maior volume de ocorrências. Essa observação reforça um ponto crítico para a Confederação: a gestão da segurança pública passa por estratégias territorializadas, baseadas em evidências. Trata-se de um cenário de atuação das guardas municipais cada vez mais pautado na ação integrada, orientada por dados e inteligência.
Essa modernização enfrenta um desafio estrutural, que demanda fundos e investimentos estaduais e federais direcionados à inclusão digital da segurança pública municipal; a última pesquisa TIC Governo revela que apenas 33% dos municípios contam com centros de operações e monitoramento, sendo 88% desses equipamentos concentrados nas capitais.
Foto: Agência Brasil
Da Agência CNM de Notícias, com informações do MJSP


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