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Associação dos Municípios das Rodovias Transamazônica, Santarém-Cuiabá e Região Oeste do Pará

CONHEÇA BELTERRA

29 de abril de 2019

Belterra é um município brasileiro do Estado do Pará, pertencente à Mesorregião do Baixo Amazonas. Localiza-se no norte brasileiro, a uma latitude 02º 38′ 11″ sul e longitude 54º 56′ 14″ oeste, distante cerca de 45 km do município de Santarém.

Área: 4.398 km²

Fundação: 29 de dezembro de 1995

Prefeito(a): Jociclélio Castro Macedo (DEM); (2017–2020)

População: 16.324 (2010)

Aniversário: 4 de maio

Região metropolitana: Santarém

Altitude: 152 m

Código IBGE: 1501451

Após o fracasso das plantações de seringa em Fordlândia, causada pelo tipo de terreno que não favoreceu o desenvolvimento dos seringais, e também, a infestação por um tipo específico de praga até então desconhecida acabou com a produção das plantações. Por isso, Henry Ford teve que buscar terreno plano, com solo rico em minerais e material orgânico para que seu projeto fosse continuado.

Várias expedições foram realizadas até encontrar um lugar que ficou conhecido como Bela Terra. Tal área é conhecida entre os cientistas pelo seu famoso solo fértil de ‘Terra Preta’, que deve ter sido um dos critérios para a escolha do local. Embora este tipo de solo ocorra em toda Amazônia, Belterra é particularmente rica em terra preta com características de relevo. Contribuiu para a plantação de seringas, e pelo fácil acesso, através do rio, para o escoamento da produção viabilizou, portanto, o projeto. A Bela Terra foi cedida pelo governo brasileiro à Companhia Ford. Para que o projeto fosse iniciado, foram derrubados cerca de 2.500 acres da vegetação original do local para dar início ao processo de implantação do projeto de Ford.

Os primeiros operários foram contratados em 1934, e, em 4 de maio do mesmo ano, ocorreram a limpeza dos seringais, a construção de casas e o hospital. A arquitetura das construções foi inspirada no modelo americano, algumas delas permanecem até hoje intactas, pois foram tombadas e, agora são patrimônios históricos. Havia relatos que a educação em Belterra era de excelente qualidade assim como no país onde Ford nasceu. Apesar de administrar a cidade, Henry Ford nunca veio realmente à Belterra, mesmo possuindo uma casa especialmente construída para ele. Ford tinha medo das doenças tropicais.

A produção e exportação de látex proveniente de Belterra eram uma fonte de lucro. Porém, com o surgimento da borracha sintética e o baixo custo da borracha no continente asiático, o cenário mudou. Os investimentos em Belterra perderam o sentido, e a Companhia Ford desistiu do seu projeto que estava planejado para durar um século. Belterra foi reapossada pelo governo brasileiro em 1945, fazendo parte do município de Santarém. Somente no dia 29 de dezembro de 1995, Belterra tornou-se um município, contando, portanto, com uma prefeitura própria.

Fundada em 1934 pelo norte americano Henry Ford, Belterra é um munícipio com fortes traços do período do ciclo da borracha. Localizada a cerca de 45 km de distância de Santarém, oeste paraense, é possível chegar ao local por meio da Rodovia Santarém Cuiabá, BR-163.  O município é um convite para conhecer uma importante parte da história paraense: o Ciclo da Borracha.

Foi lá que, no início do século XX, foi implantado pela empresa americana Ford um núcleo urbano que serviu de base para o plantio de seringueiras e produção de látex, matéria-prima fundamental para a indústria automobilística. O projeto durou até o final da 2ª Guerra Mundial, mas a vila manteve as características arquitetônicas e urbanísticas de cidades do interior dos Estados Unidos e é reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio nacional.

A cidade possui cerca de  17 mil habitantes, segundo dados do IBGE, e é conhecida pela história que faz referência ao modelo norte americano. O empresário Ford queria ter a própria plantação de seringueiras na Amazônia- espécie de árvore que produz o látex, principal matéria-prima para a fabricação da borracha – por isso ele decidiu investir na região e implantar o projeto.

Belterra foi construída idêntica às cidades do norte dos Estados Unidos. Até hoje o município guarda traços da época do projeto da Companhia Ford. No local, ainda é possível encontrar uma caixa d’água de cerca de 40 metros de altura, com grande capacidade de armazenamento. Antigamente os seringueiros era avisados sobre os horários de início e término do trabalho, por meio de uma sirene instalada na caixa. O alerta podia ser ouvido até 7 metros de distância. Pelas ruas ainda existem os hidrantes que foram espalhados em lugares estratégicos para auxiliar os bombeiros em possíveis incêndios.  Na Vila dos Mensalistas, moraram médicos, professores e enfermeiros que vinham trabalhar no projeto. A iniciativa também construiu creches, escolas, hospital e outros prédios que serviam para atender aos funcionários e filhos.

PRESERVAÇÃO

residencias construidas pelo projeto do Henry Ford. Belterra era uma extensão da Fordlandia

Segundo os moradores de Belterra, manter a história da cidade viva é a maior preocupação. A moradora Rosa Maria Siqueira, se esforçar para manter a arquitetura da casa no estilo americano, mas ela afirma que é difícil encontrar o mesmo material. “O assoalho, a madeira pela parte de fora continua a mesma, porém a parte interna da casa já foi trocada, pois o cupim está deteriorando a estrutura” relata.

A Floresta Nacional do Tapajós, que fica no município, é uma das unidades conservação da natureza mais prosperas e protegidas da Amazônia, com grande diversidade de atividades. No local, são desenvolvidas atividades de caminhada, banhos no rio e igarapés, visita a projetos comunitários e de pesquisa, passeios de canoa, flutuação e contato com a cultura local. Um guia local acompanha os turistas em todas as atividades na comunidade. O visitante encontra artesanatos diversos feitos pela comunidade que reside na Flona, tais como colares de sementes, objetos com o ouriço da castanha-do-Pára, animais em madeira, bolsas de couro ecológico, cestaria de palha, móveis de madeira com formato de animais, além de óleos vegetais e mel, ainda conta também com atividades esportivas – entre elas, uma das principais maratonas de selva do mundo, a Junglemarathon.

Mas além de história, Belterra, localizado às margens do rio Tapajós, oferece praias belíssimas como Aramanai, Cajutuba e Pindobal.

O QUE FAZER?

Passear pelo Centro Histórico para apreciar a arquitetura e o urbanismo integrado à floresta e visitar as praias do município para refrescar calor do verão. Aramanaí e Pindobal são as mais famosas e oferecem uma beleza deslumbrante com águas claras e areia branca.

A área central de Belterra conserva um grande número de mangueiras, por este motivo a cidade é conhecida na região pelas mangas. Com alimentação à base de peixe, as opções são muitas: tambaqui, tucunaré e pirarucu. Não deixe de provar o charutinho, peixe parecido com a sardinha, que é servido frito e se come com espinha e tudo.

Conhecer a Igreja de Santa Luzia, na Vila 129 que foi construída pelos frades franciscanos, entre eles, Frei Miguel OFM, na década de 50. A padroeira do Bairro é tida pelos fiéis católicos como a milagreira e protetora dos que necessitam de cuidados oftalmológicos – dos olhos. É festejada no mês de dezembro, no dia 13 mais precisamente. É a segunda manifestação de fé, dentre as festividades católicas, depois de Santo Antônio na cidade de Belterra.

Entre os atrativos naturais da cidade as praias se destacam. A mais conhecida e visitada é  Pindobal, mas existem outras opções de praias com areia branquinha e ambiente tranquilo como Aramanaí (13 km da cidade), Cajutuba (10km), Porto Novo (7 km) e Maguari (20 km distante da cidade).

Outro atrativo turístivo é o Bosque das Seringueiras – uma área de 400 metros quadrados onde estão preservados os seringais do período do ciclo da borraha. “Os turistas dos Estados Unidos e Canadá são aqueles que mais se interessam pela história de Belterra, porque é história deles também”, explica o guia turístico, Karim Abu Bakr.

A construção de um Mirante, nos fundos da casa de uma moradora oferece aos visitantes uma visão privilegiada da floresta. O local, ainda improvisado, é conhecido como “Goela da Morte”.

COMO CHEGAR?

A partir de Santarém, existem duas opções, a rodoviária, pela BR 163 (Santarém-Cuiabá); a outra opção é a via fluvial, pelo rio Tapajós, até Aramanaí e a partir daí é preciso utilizar transporte rodoviário para chegar à sede do município.

Com informações: Paraturismo, IBGE, site Prefeitura Municipal de Belterra.